O que Pink Floyd e John Holt têm em comum?

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O que Pink Floyd e John Holt têm em comum?

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Hey! Teacher! Leave them kids alone!

John Holt foi um professor e pensador que dedicou sua existência à reflexão sobre a natureza da aprendizagem em todas as idades. Veja que interessante este trechinho que ele escreve no seu livro “Aprendendo o tempo todo: como as crianças aprendem sem ser ensinadas”:

O ensino que não foi solicitado não apenas não produz aprendizagem, mas também — e isso para mim foi mais difícil de aprender — cria uma resistência ao aprendizado.
Sempre que, sem ser solicitados, sem ser convidados, tentamos ensinar algo a alguém, transmitimos a essa pessoa uma mensagem de duplo sentido. A primeira parte da mensagem é: estou lhe ensinando algo importante, mas você não é inteligente o suficiente para perceber isso. A menos que eu ensine isso a você, você muito provavelmente nunca descobrirá sozinho. A segunda parte da mensagem é: o que estou lhe ensinando é tão difícil que, se eu não lhe ensinar, você nunca o aprenderá.

Essa dupla mensagem de desconfiança e de desprezo é claramente entendida […]. Todo ensino que não é solicitado contém essa mensagem de desconfiança e de desprezo.

Bem, o clipe e a arte do Pink Floyd ilustram um pouco disso tudo, além de ser uma crítica a um padrão social existente há cerca de seis milênios. Este “software” social é capaz de reproduzir a essência da escola, carregando nas pessoas um comportamento encontrado somente em relações hierarquizadas, que sulcam caminhos para as pessoas percorrerem e cortam todos os outros não desejáveis para manter o seu controle sobre os processos. Ótimo para uma fábrica que, pensada desde sua linha de produção, desenvolve produtos para atingir um padrão de qualidade aceitável para atender demandas pré-concebidas. Mas isso é péssimo para pessoas, que se formam nas relações com outras pessoas aprendendo o tempo todo com total liberdade.

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Diante de currículos que devem ser seguidos e de concepções conducionistas e cognitivistas que pré-definem quais conteúdos auxiliam no desenvolvimento das estruturas neurológicas adequadas para novas compreensões, realmente fica difícil dentro de uma instituição de ensino fazer com que Tolstoi possa assombrar a velha estrutura escolar ecoando que “o único fundamento da pedagogia é a liberdade”.

O próprio Holt, chegou a desacreditar Piaget quanto à sua teoria dos estágios do desenvolvimento cognitivo, pois ele conseguiu compreender que as pessoas não adquirem conhecimento, mas o constroem.

Devido ao fato de Jean Piaget — que sem dúvida foi um pensador brilhante o original — não ter compreendido isso, tanto o método que usou para aprender sobre o pensamento infantil como as conclusões que dele extraiu estavam errados. Em experiências com crianças, os psicólogos estão descobrindo cada vez mais que, quando são dados a elas meios para demonstrarem — com ações, e não com palavras — o que sabem, os resultados dos experimentos de Piaget são invalidados, e as crianças mostram ser de fato capazes de fazer coisas as quais ele dizia que elas não podiam fazer. Crianças de não mais que 2 anos têm mostrado ser capazes de fazer exatamente o tipo de raciocínio formal e lógico que Piaget declarara impossível nessa idade.

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Ora, talvez tenha sido natural para Piaget transpor as bases do seu conhecimento biológico para tentar compreender o processo de aprendizagem. E o fez sem perceber a tão evidente dinâmica que revelaria a relação entre a liberdade e a aprendizagem. Sendo a liberdade algo que depende de como as pessoas interagem, existe uma relação direta entre os relacionamentos sociais e a aprendizagem. Sobre isso, temos investigado uma nova visão, que parte do entendimento dos fenômenos que ocorrem na interação entre as pessoas, capazes de criar novos conhecimentos por alterpoiese, o que caracterizaria uma alostase social ou o que chamamos de uma aprendizagem verdadeiramente humana.

Estamos no início de um tempo inovador para a aprendizagem, baseado em uma visão interativista, que se aplica não só às crianças, mas para pessoas de todas as idades e, ainda, vivendo em qualquer ambiente. Seja na escola, em casa, no trabalho, na ONG, na universidade ou na praça, é possível criar um ambiente inovador para uma aprendizagem genuinamente humana.

O HUMANA é um projeto dedicado à APRENDIZAGEM INTERATIVA, baseado nas investigações que eu e um grupo de pesquisadores temos realizado sobre uma visão interativista da aprendizagem.

 

Se você quiser se conectar a uma comunidade de investigação que está trabalhando no desenvolvimento de uma nova teoria interativista da aprendizagem e ser mais um pesquisador associado, saiba como clicando aqui http://humana.social/comunidade-de-investigacao/

Quer aplicar tudo isso? Conheça o HUMANA.SOCIAL – Aprendizagem Interativa (antigo INOVA-EDU), um curso no qual você pode aplicar a aprendizagem interativa: https://redes.org.br/humana/

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