A realidade do mundo como descrição inculcada

A criança torna-se sócia [eu diria, replicadora da Matrix] quando é capaz de fazer todas as interpretações perceptíveis adequadas que, conformando-se com aquela descrição que lhe foi inculcada, a revalidem.

Leiam o pequeno trecho abaixo de Carlos Castaneda (1972) em Viagem a Ixtlan.

 

Para Don Juan, o mundo da vida diária não é real, como acreditamos que seja: “a realidade ou o mundo que todos conhecemos é apenas uma descrição”.

A fim de revalidar essa premissa, Don Juan concentrou seus melhores esforços no sentido de me conduzir a uma convicção sincera de que o que eu pensava como sendo o mundo próximo era apenas a descrição do mundo, a qual me tinha sido inculcada desde o momento em que nasci.

Ele mostrou que todos que entram em contato com uma criança são um mestre que lhe descreve o mundo sem cessar, até o momento em que a criança é capaz de perceber o mundo conforme descrito. Segundo Dom Juan, não temos recordação daquele momento portentoso, simplesmente porque nenhum de nós poderia ter qualquer ponto de referência para compará-lo com qualquer outra coisa. A partir daquele momento, porém, a criança é sócia. Ela sabe a descrição do mundo; e sua qualidade de sócia torna-se completa, imagino, quando ela é capaz de fazer todas as interpretações perceptíveis adequadas que, conformando-se com aquela descrição, a revalidem.

Para Don Juan, portanto, a realidade de nossa vida diária consiste num fluxo interminável de interpretações perceptíveis que nós, os indivíduos que partilhamos de uma sociedade específica, aprendemos a fazer em comum.

A ideia de que as interpretações perceptíveis que constituem o mundo têm um fluxo é congruente com o fato de correrem ininterruptamente e serem raramente, se alguma vez o são, suscetíveis de indagação. De fato, a realidade do mundo que conhecemos é aceita tão normalmente que a premissa básica de que a nossa realidade é apenas uma das muitas descrições, mal poderia ser considerada uma tese séria”.

 

É leitura ou releitura importante os três primeiros livros de Castaneda: A Erva do Diabo (1968), Uma estranha realidade (1971) e Viagem a Ixtlan (1972). Este último – da qual extraímos o texto acima – foi a tese de PhD de Castanheda na UCLA, em 1973, com o título: “Sorcery: A Description of the World”.

 

Se você quiser se conectar a uma comunidade de investigação que está trabalhando no desenvolvimento de uma nova teoria interativista da aprendizagem e ser mais um pesquisador associado, saiba como clicando aqui http://humana.social/comunidade-de-investigacao/

Quer aplicar tudo isso? Conheça o HUMANA.SOCIAL – Aprendizagem Interativa (antigo INOVA-EDU), um curso no qual você pode aplicar a aprendizagem interativa: https://redes.org.br/humana/

Comentários

comentários